O termo “Óleo de Betânia” evoca uma imagem poderosa e profundamente simbólica, ligada a um dos episódios mais comoventes dos Evangelhos: a unção dos pés de Jesus por uma mulher pecadora. Embora não exista um “óleo de Betânia” específico com uma fórmula conhecida, a referência remete ao perfume precioso utilizado por Maria de Betânia (ou possivelmente outra mulher, dependendo da interpretação das Escrituras) para ungir Jesus, um ato de extrema devoção, arrependimento e reconhecimento da Sua divindade.

Este artigo explorará a rica simbologia por trás deste ato, analisando as diferentes perspectivas bíblicas, o contexto histórico e cultural, e a profunda mensagem de perdão, compaixão e amor incondicional que ele transmite.
O Contexto Bíblico: Três Narrativas Convergentes?
A história da unção de Jesus com perfume aparece em diferentes Evangelhos, com variações significativas que geram debates sobre se referem-se a um único evento ou a três distintos:
* Lucas 7:36-50: Este relato descreve uma mulher “conhecida na cidade como pecadora” que unge os pés de Jesus com lágrimas e perfume, secando-os com os seus cabelos. O evento acontece na casa de um fariseu chamado Simão, que questiona a atitude de Jesus em permitir que uma mulher de reputação duvidosa O toque. Jesus responde com uma parábola, enfatizando a importância do amor e do perdão. Este relato destaca a compaixão de Jesus para com os pecadores arrependidos e a transformação que o encontro com Ele pode proporcionar.
* Mateus 26:6-13 e Marcos 14:3-9: Estas passagens narram uma mulher que unge a cabeça de Jesus com um perfume muito caro em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Os discípulos criticam o desperdício do perfume, argumentando que poderia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres. Jesus defende a mulher, afirmando que ela preparou o Seu corpo para o sepultamento e que o seu ato seria lembrado em todo o mundo.
* João 12:1-8: João identifica a mulher como Maria, irmã de Lázaro e Marta, e localiza o evento em Betânia, seis dias antes da Páscoa. Maria unge os pés de Jesus com nardo puro, um perfume extremamente valioso, e os seca com os seus cabelos. Judas Iscariotes protesta contra o desperdício, mas Jesus novamente defende Maria, declarando que ela guardou o perfume para o dia do Seu sepultamento.
Quem Era Maria de Betânia?
Maria de Betânia é uma figura central nestas narrativas. Irmã de Marta e Lázaro, ela é retratada como uma mulher contemplativa e devota, que preferia sentar-se aos pés de Jesus para ouvir os seus ensinamentos, enquanto Marta se preocupava com os afazeres domésticos (Lucas 10:38-42). A ressurreição de Lázaro por Jesus (João 11) demonstra a profunda ligação entre Jesus e a família de Betânia.
A identificação de Maria de Betânia como a mulher pecadora que unge os pés de Jesus em Lucas 7:36-50 é um ponto de debate. Alguns estudiosos argumentam que se tratam de duas mulheres diferentes, enquanto outros defendem que Maria de Betânia é a mesma mulher que, em um momento de profundo arrependimento, buscou o perdão de Jesus.
O Significado do Perfume e da Unção
O perfume utilizado por Maria era extremamente caro, provavelmente nardo puro, importado da Índia. O valor do perfume era equivalente ao salário de um ano de trabalho, o que demonstra o sacrifício e a generosidade de Maria.
A unção com óleo era um costume comum no mundo antigo, utilizado para diversos fins:
* Hospitalidade: Ungir a cabeça de um convidado era um sinal de honra e respeito.
* Medicina: O óleo era utilizado para aliviar dores e tratar ferimentos.
* Religião: Ungir reis e sacerdotes era um ato de consagração e investidura.